quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Do que te fora

Quando me convidaste a voltar a ti
Quanta alegria em meu peito raiou

Ao ver-te ante meus olhos
O que de ti fora feito
Espectro do que houveras sido
Doeu-me n’alma

O espírito ora serelepe e faceiro
Fazia-se apequenado
E a feição embrutecida dos olhos teus
Teus olhos
Passavam despercebidas

Despercebidos

Pois teu semblante angelical aos incautos engodava
Porém
Eu
Profundo conhecedor de tua alma jovial
Jovial alma
Não pude reencontrar-te

Terá sido por isso que nos fora dado o afeto
Aquele que permite enternecer por toda a eternidade
Um

Amor puro


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fastio

Tem uma hora
Que o amor
Cansa

E tu dizes
Basta

É
O Amor
É
Imortal

domingo, 29 de janeiro de 2012

A polissemia do verbo ‘coisar’, o nosso curinga

Coisar. Eu coiso e tu coisas (sic). Égua, por que não? Há muito este inusitado verbo faz as vezes na língua dos lusos e seus descendentes do verbo get na língua inglesa. Registrado na obra Embargo, do célebre escritor português José Saramago, é usado indiscriminadamente quando se tenta alcançar um sentido bloqueado momentaneamente pelo cérebro.

Uma de suas usuárias mais contumazes com os quais convivo é minha querida avó. Percebo que ela se utiliza dele com grande vigor e pelo que recordo, há muitos anos. Não é que ela desconheça o sentido do verbo ou expressão cabível e o utilize como ‘quebra galho’. O que ocorre é que ela processa rapidamente o que pretende comunicar e acredita que seu interlocutor seja sabedor do mesmo sentido por ela pretendido.

Na maioria das vezes, meu irmão e eu nos divertimos com tais situações e as reproduzimos indistintamente entre nós. Quase sempre é possível entender o que ela gostaria de dizer. Difícil mesmo fica quando ela se refere a um tal inatingível ‘negócio do coisa’!!! Nosso pai entende ou aceita muito bem nosso procedimento. Já mamãe, se aborrece com frequência por não dominar e não fazer a menor questão de assimilar este trecho do código entre nós estabelecido. Em todas as vezes – ainda que não se saiba ao certo a finalidade do ‘coisa’ – é sempre uma grande diversão.

Mamãe não alcança a amplidão social desse brilhante verbo, também advérbio, adjetivo, substantivo, pronome. Após adentrar a universidade como aluno de Letras, me detive com maior empenho nessa análise e constatei sua penetração e aceitação cultural e socialmente. Ontem, tive o seguinte diálogo com minha tia:

– Tia, já vi o coisa. Tá tudo coisa.

– Ah, legal! Que bom!

Em uma linguagem formal, a conversa seguiria assim:

– Tia, já vi o fogão. Tá tudo certo.

– Ah, legal! Que bom!

Por haver entendido tudo o que pretendia lhe comunicar, parabenizei-a dizendo:

– Olha tia, a senhora já sabe se comunicar bem. Parabéns!

Bem, como o mote desta “tese” foi minha avozinha, não poderia terminá-la sem contar o mais recente ato de linguagem por ela praticado empregando seu tão estimado hábito linguístico. Fomos hoje cedo à Santa Missa e travamos os seguintes diálogos.

Na ida, uma cachorrinha se aproximou de nós. Fomos brincando com ela até a metade do caminho. Então disse:

– Vó, é melhor a gente não dar confiança, senão ela vai até a Igreja.

– É, eu sei. Ela já até coisa* na minha mão. (*coisa: fuçou, roçou)

Na chegada a casa:

– Olha, que bom que o Ewerton capinou aqui na frente.

– É, vó. Tava na hora...

– É, só que tem que coisar* tudo pra não ficar coisa*. (*coisar: recolher o mato; *coisa: feio, sujo)

E a última da manhã:

– Meu filho, tira esse pano daqui porque é mais coisa* dessa mosca pra esse lado. (*coisa: a mosca estava perturbando a nossa paciência e sujaria o guardanapo).

E dá-lhe coisa!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Imperativo categórico

Se ontem minha manhã foi alegre e repercutiu por todo o dia, hoje minha tarde foi singular mais uma vez, porém por outro enfoque, diametralmente oposto ao anterior. O cenário foi o mesmo, o Comércio. Um dos motes também, a compra da mesa. O outro foi, talvez, o estopim da vergonha, da inexatidão, do não-lugar.

No dia alegre, fiquei sabendo por um telejornal do triste fim que uma capela do século XVII levara – fechada por falta de manutenção estrutural por se tratar de herança familiar. Acabei passando em frente a ela e também me entristeci. Depois passei pelo mesmo lugar e meu triste sentimento foi ressignificado. Na ida, com fones nos ouvidos, me fechei em meu mundo autista e não atentei aos rogos de uma resignada senhora que à porta do templo se encontrava.

Após um longo período, pelo mesmo trajeto passei, já sem os fones, e ouvi dessa vez o clamor daquela simples alma. Imaginei que esmolasse. Não. Trabalhava honrosamente. Vendia revistas e clamava: “Por favor, me ajuda. Compra a minha revista. Eu preciso. Por favor!”. Parei para atender a esse dócil e dorido pedido. Custava R$ 1,00 cada exemplar. Levaria três. Um passante disse: “Tome, senhora. Só pra lhe ajudar”. Reconsiderei minha decisão e fiz algo parecido: “Vou levar dois e a senhora pode ficar com esse outro real”.

Alguns passos adiante e enorme remorso e culpa por algo do qual eu não era diretamente culpado me lacerou. Estava indo ao shopping comprar uns óculos de sol, completamente desnecessários e supérfluos, pois os meus estão em perfeitas condições e inclusive os usava quando do ocorrido (ele é meu xodó e minha necessidade, ou então andaria tateando à luz do sol). Voltei pensando na abordagem a tomar. Precisava ajudar aquela senhora. Mas como? Saber seu nome, onde mora, porque vive daquele jeito – claro, é a necessidade. Será que é aposentada? Vive com alguém? Alguma coisa eu precisava ouvir daquela bela senhora.

Retornei e me deparei com uma tocante cena. Outro passante lhe ofereceu um copo d’água. “A senhora não pode passar o dia todo aí com sede. Alguém tem que olhar pela senhora”, ao que ela respondeu: “Muito obrigado, meu filho”. Abri a carteira e lhe dei uma cédula. “Tome, senhora”. Queria saber de sua vida, mas não pude. Ela me ofereceu um dos sorrisos mais bonitos e sinceros que já vi. Aquilo me desarmou por inteiro. Só consegui lhe dizer: “Que Deus lhe abençoe!”.

Saí dali profundamente constrangido. Como poderia agora comprar qualquer coisa depois de tudo aquilo? As lágrimas escorriam dos meus olhos, e eram escondidas pelos óculos. Fui à loja. Outros estavam reservados. Achei-os detestáveis. “Tens certeza de que eu escolhi esse?”, perguntei ao vendedor. “Absoluta!”, foi sua resposta. “Mas como pode eu ter escolhido ontem e hoje achar um grande lixo?”. Ao entrar em outra loja, comentei com o vendedor do acontecido e ele me disse sabiamente que isso depende diretamente do estado emocional atual. Concordei. Não quis, ou não era cabível – não sei – comentar o real motivo. Até mesmo porque tudo ainda estava muito confuso em minha cabeça. (Está).

Queira Deus pôr aquela iluminada e abençoada senhora em meu caminho.

Dia felizão!

Há um bom tempo que por aqui não apareço. É que hoje meu dia foi muito bom e decidi deixar um pouco de lado os poemas e partir pra prosa (ou melhor, voltar a ela – afinal, foi assim que tudo começou).

Meu dia deveria se iniciar às 7h, mas enrolei e levantei trinta e sete minutos depois, o que me impossibilitou de chegar a tempo à aula de espanhol. Bem, como não mais assistiria minha aula, mas ainda assim precisava ir ao Comércio, decidi levantar e fazer pelo menos a primeira parte do que deveria.

Logo que cheguei à parada de ônibus o peguei. Bom sinal! Ao descer, revi meu querido CEPC da adolescência. Então, entrei na primeira ótica. Depois dessa, mais 14 se juntaram à primeira. Também visitei o ourives. Não entendo como meu anel de formatura inventou de quebrar, mas quebrou... Se fosse de caroço de tucumã, até vá lá, mas o bicho velho é de prata. Fazer o que, né?! Fiquei sabendo que até mesmo aço quebra.

Nesse périplo, encontrei a diva “Leona, Assassina Vingativa” como uma reles mortal, caminhando pelas ruas do Comércio. Parei para admirá-la e ver se era de verdade. E num é que era?! Também precisava comprar uma mesa para cozinha. E haja andança! Comprei sabonetes de argila para dar de presente, um cordão e um pingente. A mesa, não. E se eu comprasse a que mais queria, e logo depois encontrasse uma mais barata? Não, melhor não.

(Ah, parênteses necessários. Quando da compra do cordão e pingente, minha intenção era apenas adquirir o primeiro, mas nada custava levar o segundo. Havia vários de motivos religiosos, porém a vendedora nada sabia informar... Comecei a lhe dizer de muitos que eu sabia. E ela: “Peraí, que tu já vai me dizer de um por um, que eu também não sei e eu vou anotar tudinho”. “Tá”, respondi. “Olha, essa aqui é Nossa Senhora da Rosa Mística. Essa, Nossa Senhora de Fátima. Essa outra aqui, Santa Rita. Esse aqui é São Francisco Xavier”. “Tu sabe de tudo isso porque tu é dessa religião, né?!”. “Sim, sou católico!”. Saí da loja rindo, de contente e do inesperado, daquela situação.)

Bem, pelo menos os óculos foram encomendados. Da mais alta qualidade – lentes fotossensíveis e antirreflexo (as marcas mais famosas e de referência)! E o melhor: com uma economia de mais de 60% entre os opostos. Parei brevemente em uma Igreja. Ainda preciso me confessar. Alegria nenhuma é completa quando a alma encontra-se atordoada. O padre estava conversando. Tremi um pouco e refuguei. “Depois eu volto”.

Por essas simplórias palavras não consigo expressar a alegria que senti nessa manhã. Contudo, escrever ajuda-me a rememorar uma simples e bem vivida etapa do meu dia, da minha vida. Ser feliz, olha aí, é fácil!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pútrido Espólio

De ti?
Compadeço-me

Alimentas-te do meu opróbrio

Mas se é tudo o que tens
Como poderias maldizer-te

Voraz foste
Voraz te veio o escárnio

Sabes bem do que te ladeia
Preferes suplantar a verdade?

De ti!
Compadeço-me

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Do Tudo Muito

Te ter ao lado
Quis por muito
Tive
Perdi
Encontrei
Esvaiu-se

Corri
Parei
Esperei
Deixei
Surgiu

Vivi
Ilusões
Subterfúgios
Recusas
Pudores
Ilusões
Perdões
Decepções
Perdões
Alegria
Outrora
Alegria
Alegria
Muita
Os pés no chão
Constituíram
Por sempre
Minha serenidade
Minha integridade
Desvairado

Mantive-me em mim
Ousadia
ou...

Dói-me
Nada doer

Degeneração sentimental

Por favor, tesifiquem
Tergiverso

sábado, 23 de abril de 2011

Imponderável, Apodera-te

Decepciono-me
De ti afasto-me

Não sei perdoar
Averiguar
Averiguei

Quimeras trarão-me teu rosto
Envolto em turvas nuvens
De outrora

Risonho
Incompleto
Incerto

O que te faltava?

Plenitude
Estive ao teu lado

Pensei-me a ti suficiente














Espessas camadas do inescrutável

Queria amargurar-me

Juras
Juradas
Ultrajadas

Dúvida
Insegurança
Desconfiança

Julgares
Julgares
Julgares

Imponderável
Apodera-te depressa

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Deriva

Amores burilados em profundidade
Descuidados
Naufragam

Imensos inebriáveis
Naufragam

Eternos imortais
Naufragam

À deriva

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vasculhos mentais

Olá, leitores!

Sei que o combinado é uma postagem semanal - e ainda que seja de um poema.
Pois é, rememorando os conceitos poéticos de poesia, lembrei de uma poesia dadaísta que criei e da qual muito me orgulho.
É extremamente visual.
Apreciem-na:

quinta-feira, 24 de março de 2011

Abraços Partidos

Vivendo sob o signo dos Abraços Partidos

Rompimentos definitivos
Uns doridos e sublimados
Outros relegados ao limbo

ora refluem]

[e ao limbo grassam


Tudo apascenterá

Que certeza me aventa?
O companheiro eterno e irrefutável

quinta-feira, 17 de março de 2011

Amor em contas

Amar é para poucos
Amar é para sábios
Para fortes
Iludidos, perdidos ou debéis
Fiqueis onde deveis

Vis!

¡Mesquinhos e insensíveis!
¡Desumanos!
¡Torpes!
¡Crueis!

Ora, tu não percebes o que se passa diante dos olhos teus?
E em teu coração?
Não sentes crepitar a chama ardorosa do Amor, do puro Amor?

Despretensioso
Leve
Doado
(mas cobrado)
Ainda que em pequenas contas
Continhas de ponta de areia

Crescidas, são exigentes
Carecem de carinho e atenção

Ah, percebes agora o que é o Amor?

Fracos...
Por que fostes agraciados com a mais sublime das dádivas se sois porcos?

Esmiralarás tu com teu pesado coração a Perfeição cedida

Alma de um Coração semidesgostoso
À beira da desilusão
Vigoroso
Fortalecido

O mesmo Amor lacerado
[de suas ínfimas partículas transfigura a Dor em um laivo soberano de resistência

O Amor ressurge
Reconfigura-se
Refigura-se
Transfigura-se

Percebeis, vis
– ou pobres desavisados
Perdestes o essencial, que é invisível aos olhos
A lei natural aponta a transformação da essência

A essência permaneceu imaculada
Translocou-se
A essência permaneceu imaculada

quinta-feira, 10 de março de 2011

Amores esfriando na geladeira dos sentimentos

Amores puros

Ocos
Vazios
Despidos de ardor

Antes intensos
Ora pútridos...
Doridos...
Pungidos
Comiserados

Amores dantes nunca sabidos
Insurgem pungentes
Grandiosos
Inesperados
Leais?
...
Traspassados pela barreira da provação
Quererte a mi lado

Burilados todos no fogo divino
?

Transponíveis

Sol....









Aparente
Real
Inconsentida
Preservada
Resguardada
Necessária
Venerada
Finda?

Amores frios requentados
? ¿?
Amores inebriantes resfriados
.....
Amores brutos?
Desejosos da verdade
A verdade
Verde
dá
de
ver
veria?
Alcançar
Queria
O
Mar

terça-feira, 6 de outubro de 2009

06/10/2009

Minhas primeiras aulas no Alfa (com direito a aplausos e abraços!).

02 a 05/10/2009

Não vivi...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

1º/10/2009

Uh! Acordado por meu irmão que fui, não me balei e voltei a dormir. Depois de cerca de uma hora, levantei e comecei a cuidar da vida. Estava a tomar café e assistir televisão quando ouvi a notícia de que a prova do ENEM havia sido adiada. Escrevo isso porque estava inscrito para fazê-la. É... já me formei, mas sempre é bom ter mais de um diploma. Te dá respaldo.

Não me abalei e me pus a reorganizar minha agenda. Logo depois, fui resolver a situação na loja que não havia revalidado meu cadastro. Antes, precisava passar na escola e pedir uma declaração que comprovasse que eu não era um farsante. Foi tudo muito rápido e tranquilo. Cheguei à loja e logo me dirigi ao setor responsável. Enquanto esperava, fui catar minhas peças dispersas (ficou bacana, né?!).

Depois de algum (bom) tempo, finalizei as compras. Fui à minha querida UFPA participar de um minicurso sobre semiologia e semiótica. Antes, almocei no R.U. (Restaurante Universitário) após encontrar meu irmão.

Fiz o minicurso e voltei pra casa. Dei uma fuçada na net e fui dormir.

30/09/2009

Hoje meu dia começou tarde. Por volta de 10h da manhã. Não podia perder tempo e assim foi. Esqueci de rezar meu terço em honra a São Geraldo... Mas do resto lembrei. Ainda deitado, já que o telefone estava bem ao meu lado, liguei pra minha tia e negociei meu modem com ela. Logo depois, fui ao meu vizinho e acertei minha nova e mais velox internet (entenderam a pegada?!) – internet compartilhada: uma subversão consentida...

Aquele velho mal que me assola ainda não quis me abandonar e precisei recorrer a uma colega pra diminuir seus efeitos. Calma, não sou usuário de drogas. O mal é a falta de dinheiro. Ela quebrou meu galho e me arranjou algum.
Voltei para casa e cuidei dos afazeres domésticos. Quando tudo estava ficando pronto, vim para a frente do PC postar meu texto referente ao dia de ontem. Mas não deu... esqueci minha senha...

Quando percebi, já estava mais do que atrasado. Marquei à 15h com a mãe de uma amiga em uma loja que fica distante cerca de uma hora da minha casa. Foi com essa mesma hora que cheguei lá. Encontrei não só a mãe de minha amiga como ela e mais uma boa parte de sua família. Imediatamente, fui escolher minhas peças, todas muito bonitas. Ela já havia escolhido algumas. Terminada esta etapa, fomos ao caixa. O cartão não passou. Precisei atualizar meus dados cadastrais. As referências foram confirmadas, mas o funcionário que atendeu o telefonema na escola em que trabalho não me conhecia. Resultado: nada feito...

Raiva, raiva, muita raiva. Cheguei à situação denominada pela filosofia de situação limite (aquela em que ficamos de mãos atadas). Nada mais podendo fazer, segui meu rumo. Era também o dia da formatura de uma colega que estudou comigo, mas acabou se atrasando e não se formou comigo. Fui à parada de ônibus com uma amiga que ia pra aula na UFPA e como a solenidade era lá no extraordinário, monumental e sei lá mais que adjetivos usar pra descrever a imponência de tal construção Centro de Convenções da UFPA – mais conhecido como “Hangarzinho”. Não deu tempo de vê-la receber a outorga. Mas valeu a pena. Tiramos fotos e foi bem legal.

Me iludi pensando que ainda daria tempo de ir à minha aula de inglês. Como a solenidade terminou tarde, imaginei que aula da minha amiga estava acabando. Liguei pra ela e fui encontrá-la. Voltamos juntos.

Cheguei em casa, tomei banho e jantei. Meu irmão usava o computador. Avisei-o que precisava usar o “bichão”, como ele o chama. Enquanto ele terminava o que fazia, deitei-me em sua cama, quer dizer, dos meus pais, mas como eles não estão em casa sempre tem um esperto pra querer dormir lá! Lembro de ele ter me falado: “Mano, não vai dormir aí!” e eu ter respondido: “Tá. Só não demora!”.

No outro dia, bem cedo, ouvi sua voz: “Maninho, acorda! Maninho, acorda!”. Hum, que coisa não?!

29/09/2009

Depois de assistir o filme “Escritores da Liberdade”, que trata da história de uma professora que transforma a vida de seus alunos marginalizados partindo de ações simples que demonstram que eles são os protagonistas de suas vidas – entre outras, escrever todos os dias –, decidi que deveria escrever diariamente. Apesar de haver a preocupação com a opinião dos outros (conforme publiquei há um tempinho), o mais importante é externar meus sentimentos. Daqui a uns anos poderei ler e lembrar o que pensava, o que se passava nessa época... Ah, tu sabes, né?!...

Escrever a partir de hoje é muito simbólico pra mim. Hoje é um novo recomeço pra mim. Espiritual. Após passar uma longa noite em frente à tela do computador me divertindo ao ler as ácidas críticas do trio Te dou um dado, as loucuras da Desciclopedia, a mulher louca pedindo seu chip pro tal do Pedro no Youtube, Orkut, Twitter, Yahoo... mais uma vez percebi que minha entrega a Deus ainda é muito pequena.

Sou catequista em duas comunidades, embora em uma delas tenha um nome mais pomposo: formador, e prego, lógico, a palavra de Deus e seus ensinamentos. Entre eles, a oração. Esta poderosa arma cristã dá base à vida de qualquer que a requeira.
Não tive dúvidas. Ao acordar, imediatamente, me pus a rezar. Rezei o terço de São Geraldo Magella, meu santo de devoção. Segui meu dia. Precisava passar na escola em que fui contratado como monitor para esclarecer alguns mal-entendidos e evitar minha demissão... Com a ajuda espiritual fui mais uma vez abençoado e deu tudo certo!

Fui ao segundo lugar da minha jornada. Precisava remarcar minha consulta com o oftalmologista. Mais uma vez, tudo certo! Terceira parada: centro comercial de Belém. Não tinha mais dinheiro e ainda por cima tinha dívidas. Fui despachar uns carregadores de celulares finados. Tudo certo!

Quarta parada: UFPA. SEPA (Seminário de pesquisa em andamento), evento do Mestrado em Letras da UFPA. Quase tudo certo... Não cheguei a tempo de assistir a apresentação de minha professora Walkyria. Mas tudo bem. Assisti a outras. No final, tudo certo!
Quinta e última parada: escola Novo Horizonte. Entrega de curriculum. Tão precisando e eu tô querendo. É unir o útil ao agradável. Antes, encontrei meu irmão e então seguimos juntos. Após andar um bom bocado, chegamos. Tudo certo!

Fomos pra parada de ônibus e logo embarcamos. Tudo certo!

O dia inteiro correu bem. Mas ainda não havia acabado. A noite começava. Noite chuvosa. Tudo foi bem. Tudo tranquilo. Antes de dormir, precisava rezar. Agora, o terço mariano. Não dei conta. Rezei três ave-marias e desbundei. Dormi. O dia acabou. Tudo certo! (Graças a Deus!)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Em uma fase mais roqueira

Sempre que compro um novo Cd (original, é claro - é, eu ainda faço isso) é natural que aquele passe a ser o meu preferido e, por conseguinte, o mais ouvido.

Recentemente, houve a vez da Paula Toller, com seu Nosso. Depois, veio a Vanessa da Mata e seu Sim. Também chegou a vez do Gonzaguinha com seus Caminhos do Coração e Plano de Voo (por que ele se foi, hein?!... e Latino, Kelly Key, Zezé di Camargo, o Funk, com seus bondes, popouzudas e frutas suculentas, o sertanojo e os Vitor e Leo, João e Chico, Noteu e Nodele, e Inimigos da HP e mais ainda nossos continuam a nos assombrar. Esse mundo é realmente injusto...).


Todos inquestionavelmente ótimos (os primeiros, não cometam a temeridade de pensar nos últimos!), independente do estilo. Mas há um momento em que é preciso de peso. Sim, peso. Aquele som que martela os ouvidos e penetra a cabeça.

Passeando por uma das escassas sessões de Cd em lojas de departamentos encontrei um Cd de uma banda chamada The Cardigans. Égua, essa não é a banda do Lovefool? É aquela música engraçadinha do Romeu e Julieta. Mas tá diferente, um ar mais grave (essa é do Machado, deu pra sacar?!). Será que eu levo? E se for ruim? Vou ter que quebrar, é o jeito. Mas... não, não deve ser tão ruim assim. (Ainda não falei, talvez não fosse preciso por já haver mencionado a Paula e a Vanessa, que também dou valor num – BOM – pop. O que elas fazem é MPB, MPB Pop.)

Levei-o para casa. Chama-se Super Extra Gravity. A primeira música, Losing a Friend já teria valido todo o Cd. Mas não para por aí. Overload e Holy Love e vou parando por aqui, senão vou citar as 11 que compõem este super trabalho. Descobri que gostava de Indie, um estilo que só conhecia de nome.

Agora a porteira está aberta. Foi então que lembrei que simpatizava com uns caras chamados Strokes, era alucinado por outros chamados Radiohead e curtia demais o som dos irmãos-barraco Gallagher. Por que não revisitá-los? Vamo lá!


Cara, como eles são bons. Os hits radiofônicos ou “webfônicos” (adoro criar neologismos! É o segundo de ontem pra hoje) são incríveis, mas o restante do material é infinitamente melhor.

Nessa incursão roqueira fui atrás de uma banda da qual ouvira muitos comentários elogiosos, o Queens of the Stone Age. Esses são do caralho! (não é falta de termos, não, é que esse é o que melhor define os caras).

Um mais porrada, outro mais psicodélico, um mais “roquinho”, outro “ninguém nos supera”, um mais eletrônico, algumas baladas, claro, porque todos amam. E tudo é rock.

As minhas fases são inconstantes, mas sempre bebem em fonte muito boa. A mais visceral foi há cerca de três anos e teve até nome: Chico. Sabia que o cara era fodástico. Não o tinha ouvido a sério talvez por medo de achar depois dele que tudo era um lixo. Contudo, não tive escolha. Era trabalho da universidade. Ô trabalho abençoado! – e olha que o professor nem era tudo isso, mas lampejos já se explicam no nome, né?!, e ele mandou muito!

A febre durou, acredito, uns quatro meses. Um recorde! Até então, duravam no máximo um mês. Após sua passagem o efeito foi o melhor possível. Não, apesar de sua imponente majestade viral, o que ouvia continuou a ser bom. Alguns desses chegam até mesmo a possuir o respaldo do rei.

Vamo parar por aqui. Falar do Chico já é assunto pra outro momento. Olha, só agora percebi que ainda não falei de que Chico estou falando. E precisa, gente?!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Machado, Gabriel e eu


Ser blogueiro não é tão fácil quanto se pensa. Relutei bastante antes de criar meu blog, mas acabei cedendo à tentação de expor meus textos à apreciação pública. Tá pronto? Tá. Mas o que escrever? Um blog não é um diário? É. Então, descreve teu cotidiano. Ah, era aí que eu queria chegar: aos “entretantos”.

O blog deveria ser um diário, mas, ao que me consta, diário é algo muito íntimo, e um blog começa a se diferenciar por aí. Ele pertence ao mundo virtual e uma das principais características deste é estar disponível a todos que lhe têm acesso. Montando uma equação para solucionar esta questão chegamos aos seguintes elementos: um pouco de vaidade + um pouco de senso = NÃO POSSO ESCREVER QUALQUER BESTEIRA!

E agora? Meu blog perdeu sua essência...

Mas eu não sou cronista!... Quisera eu possuir a mais ínfima parte do talento retumbante que Machado dispensava em suas ferrenhas crônicas. Ou mesmo, já que ainda vivo, absorver por osmose, digamos, mais presente, uma fagulha da genialidade do cronista/repentista (ou “rapper”, como queiram) Gabriel O Pensador.

Se tu não és tudo isso, por que te meteste a escrever? Só os bons podem fazer isso. É, eu sei, mas eu também aprendi que é a prática que leva à perfeição. Se quero ser como eles devo, pois, praticar. E é isso que farei.

Quem sabe, daqui a bem pouco tempo se o meu blog estará entupido de notícias, informações, curiosidades? Quem sabe se ele se tornará um portal... Calma. Como diria uma amiga minha: “Desce daí...”. Mas é assim que tudo começa.